Wesley Teixeira reúne lideranças culturais da Baixada na Lira de Ouro
Encontro realizado em Duque de Caxias aproximou artistas, produtores e coletivos da campanha e abriu uma agenda de escuta, mobilização e construção de compromissos com o território.

Na noite de quinta-feira, 30 de julho, o tradicional Lira de Ouro, no Centro de Duque de Caxias, recebeu o encontro “Cultura e Baixada Fluminense”, organizado para aproximar trabalhadores da cultura da candidatura de Wesley Teixeira à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Realizada na Rua José Veríssimo, 72, a atividade reuniu artistas, produtores, representantes de coletivos e lideranças comprometidas com o fortalecimento cultural e político da região. Entre os nomes anunciados estavam Dudu de Morro Agudo, Giordana Moreira, Heraldo HB, Bira da Vila, Diego Lacerda e Nielson Bezerra Barbosa, além de outras referências da cultura da Baixada Fluminense.
A convocação partiu de uma ideia central: os compromissos com o território não podem ser construídos de maneira distante nem apresentados como um programa pronto. Na mobilização para o encontro, Dudu de Morro Agudo destacou que ele e Wesley são “crias da Baixada” e que nenhuma mudança verdadeira pode acontecer sem ouvir quem vive, trabalha e faz as coisas acontecerem na região.
Em vez de um comício tradicional, a atividade foi organizada como um espaço de conversa, troca de experiências e escuta. Ao longo da noite, lideranças culturais manifestaram adesão à campanha e disposição para colaborar com a construção de uma representação política conectada à realidade da Baixada.
A proposta é fazer com que artistas, produtores e agentes culturais não sejam chamados apenas para animar atos políticos, mas também para formular propostas, apresentar demandas, disputar prioridades e participar das decisões que envolvem o desenvolvimento do território.
Durante o encontro, foram apresentadas diferentes formas de participação na campanha, como mobilização nos bairros, trabalho voluntário, ativismo digital, financiamento coletivo e realização de pequenas conversas em casas, escolas, espaços culturais, locais de trabalho e pontos de circulação popular.
Uma das iniciativas é “Leve o Wesley para sua casa”, voltada à realização de encontros com familiares, amigos e vizinhos. A ideia é substituir a distância dos grandes palanques por conversas de proximidade, nas quais as pessoas possam falar sobre transporte, enchentes, emprego, juventude, educação, segurança, racismo ambiental e acesso à cultura.
A cultura ocupa um lugar central nesse projeto político.
O encontro defendeu que artistas, técnicos, produtores, educadores, integrantes de terreiros, escolas de samba, quadrilhas juninas, coletivos de hip-hop, grupos de teatro e realizadores audiovisuais precisam ser reconhecidos como trabalhadores de uma cadeia produtiva estratégica para o Estado do Rio de Janeiro.
Essa visão ultrapassa a defesa pontual de eventos e editais.
A proposta é tratar a cultura como trabalho, renda, formação, identidade e desenvolvimento econômico. Apesar da intensa produção artística existente na Baixada, a região ainda enfrenta desigualdades profundas na distribuição de recursos, equipamentos públicos e oportunidades.
Entre os problemas discutidos estão a ausência de salas comerciais de cinema em nove municípios da Baixada, a concentração dos principais equipamentos estaduais na capital e o baixo investimento de grandes empresas instaladas na região em projetos culturais do próprio território.
A candidatura defende a descentralização das políticas públicas e a criação de mecanismos para que os recursos de incentivo fiscal também fortaleçam artistas, festivais, escolas de samba, quadrilhas, produções audiovisuais, projetos de formação e iniciativas comunitárias da Baixada.
As leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo foram reconhecidas como avanços importantes, mas o debate apontou a necessidade de construir modelos permanentes de financiamento, capazes de garantir continuidade às ações e reduzir a dependência de editais esporádicos e altamente concorridos.
O encontro também serviu como preparação para o lançamento oficial da candidatura, marcado para o dia 23 de agosto.
A expectativa é reunir caravanas de diferentes cidades, coletivos culturais, blocos e movimentos populares em uma grande mobilização, com as presenças anunciadas de Eduardo Paes e Benedita da Silva.
Ao aderirem à campanha, as lideranças presentes afirmaram que a Baixada precisa deixar de ser tratada apenas como um território eleitoral e passar a ocupar o centro das decisões estaduais.
O encontro no Lira de Ouro mostrou que existe uma rede cultural disposta a participar dessa construção. Uma rede que conhece os problemas da região, produz soluções diariamente e reivindica o direito de ajudar a definir o futuro político, econômico e cultural da Baixada Fluminense.
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(Foto: Gui)

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