Investigações sobre o Banco Master marcam reta final da corrida presidencial
Candidato Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos sobre vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro e movimentações financeiras em offshore

O segundo turno de 25 de outubro vai acontecer com um dos candidatos sob investigação no maior escândalo bancário recente do país.
Isso não é opinião: está nos autos do Supremo Tribunal Federal. O eleitor tem o direito de saber o que está comprovado, o que é suspeita e o que o próprio candidato responde.
Começo pelos fatos.
Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master, e a Polícia Federal prendeu o dono, Daniel Vorcaro. Ele foi solto dias depois e preso de novo em março de 2026. A PF estima que o rombo pode chegar a R$ 12 bilhões.
Em maio, o Intercept Brasil publicou áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para financiar Dark Horse, um filme sobre Jair Bolsonaro. Os repasses somam cerca de R$ 61 milhões.
Em julho, a pedido da PF e com aval da PGR, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou uma investigação sobre esses repasses. As suspeitas são de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
O procedimento corre em sigilo, ligado ao inquérito principal do caso Master. Vorcaro e Eduardo Bolsonaro também foram incluídos. Uma das hipóteses é que parte do dinheiro tenha bancado ações de Eduardo nos Estados Unidos.
Nesta semana, surgiu um fato novo.
Segundo reportagem de Malu Gaspar, n'O Globo, um relatório da PF aponta Flávio como "usuário master" da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira.
A Alcazar tinha um terço de um jato executivo.
Outra cotista do jato era uma empresa da qual Vorcaro foi sócio.
Para a PF, isso "sustenta a hipótese" de que Flávio tinha participação econômica na empresa. É uma hipótese, não uma conclusão. Segundo a mesma reportagem, o relatório faz parte da apuração sobre os desvios no INSS. Em janeiro de 2025, Flávio viajou nesse jato até a Flórida com o advogado Willer Tomaz, único sócio da Alcazar. Ele diz que foi de carona, a convite de um amigo.
Flávio nega tudo.
Sobre o filme, diz que é um projeto privado, sem dinheiro público, e que não ofereceu vantagem ilegal a ninguém. Sobre a conta, afirma que a vinculação era indevida e que o e-mail citado pela PF prova isso. Tomaz diz que os dois são apenas amigos e nunca dividiram conta. Até aqui, Flávio não foi denunciado nem julgado e tem direito à presunção de inocência.
Também é preciso dizer que o caso não poupa nenhum lado.
A PF fez buscas contra o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. Também foram alvo Ciro Nogueira, do PP, e o ex-governador Cláudio Castro, do PL. Um escândalo desse tamanho não é exclusividade de um partido, e cada caso deve ser julgado pelas provas.
Então, onde está a diferença?
Na relação de cada candidato com a investigação.
O Banco Central agiu, a PF investigou e o STF autorizou as apurações. As instituições estão funcionando. Um presidente pode fortalecer ou enfraquecer esse trabalho, e é isso que está em jogo.
Em março, Flávio afirmou que não tinha relação com Vorcaro.
Os áudios publicados depois mostram pedidos de dinheiro.
Ele explica que a relação era só por causa do filme.
Pode ser.
Mas um candidato que deu versões diferentes sobre o próprio vínculo com um banqueiro preso pede ao eleitor uma confiança que ainda não se justifica.
Não cabe ao eleitor julgar ninguém.
Mas cabe a ele decidir quem vai comandar o país enquanto essas apurações seguem.
Entre um governo que deixa as instituições trabalharem e um presidente com interesse pessoal no resultado delas, a escolha mais segura no segundo turno é Lula.
Fontes
- Estado de Minas, 14/10/2026: "usuário master", Alcazar e as respostas de Flávio e de Tomaz.
- O Tempo, 14/10/2026: Fraction 024, a viagem de janeiro de 2025 e a remoção da conta em 22/05/2025.
- AP / ABC News, 13/05/2026: áudios do Intercept e a resposta de Flávio.
- Portal Salvador FM, 11/09/2026: decisão de Mendonça, os R$ 61 milhões e o INQ 5026.
- Wikipédia — Banco Master scandal, consultada em 15/10/2026: datas das prisões de Vorcaro e alvos de outros partidos. Vale confirmar esses alvos em reportagens primárias antes de publicar.
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