RapLab: Quando a escola vira território de revolução sonora
No dia 06 de outubro, o RapLab voltou ao CIEP 201, em Duque de Caxias, para mais uma rodada de criação artística e formação crítica. Desta vez, um momento simbólico marcou a história do projeto: foi a primeira sessão conduzida sozinho por Gustavo Baltar, agora oficialmente reconhecido (entre risos e celebrações) como profissional do RapLab. A confiança construída ao longo das edições anteriores se refletiu na condução segura da dinâmica, na escuta sensível e na maneira como os estudantes foram provocados a pensar, sentir e transformar suas vivências em versos.
Ao todo, duas sessões foram realizadas no mesmo dia, fortalecendo o vínculo com a comunidade escolar.

O Educador Jhon Griot auxiliou Gustavo Baltar durante essa sessão do RapLab no CIEP 201
Desse encontro nasceu a música “O Som da Revolução”, composição coletiva que aborda desigualdade social, ausência de oportunidades, forças do capitalismo e as contradições do cenário político brasileiro. Nas estrofes, os estudantes articulam críticas ao sistema, mencionando censura, corrupção e disputas entre direita e esquerda. A letra reconhece a força da ancestralidade e aponta que a periferia sempre despertou antes, carregando resiliência como marca. É uma canção que traduz indignação, mas também esperança, revelando um olhar atento para a realidade.

Educador Gustavo Baltar provocando estudantes durante sessão do RapLab
A análise do texto revela consciência política amadurecida, mesmo em um ambiente escolar. Os jovens identificam tensões sociais e compreendem que a manifestação é instrumento legítimo de resistência. Ao transformar indignações em arte, o RapLab reafirma sua potência pedagógica.
A sessão liderada por Baltar reforça que o projeto forma artistas, educadores e multiplicadores. E se depender da energia do CIEP 201, o som da revolução continua ecoando.
O som da revolução
O capitalismo não é falho
Ser rico é bom, mas às vezes não quebra o galho
Sempre há uma luta dentro da comunidade
Mesmo a gente sem ter oportunidade
A periferia acordou primeiro
Muitos vem da pobreza, outros nascem herdeiros
A força vem dos meus ancestrais
Com resiliencia alcançamos nossos ideais
A censura tentou nos calar
A mentalidade nos dá força pra falar
O sistema tentou nos derrubar
A corrupção tentou nos abalar
O governo faz, o povo sente
Nem Lula, nem o Bolsonaro fazem diferente
A voz do povo é manifestação
A direita e a esquerda tremem ao som da revolução!



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