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RapLab fortalece identidade e ancestralidade no CIEP 201 com o projeto Africanidades

RapLab fortalece identidade e ancestralidade no CIEP 201 com o projeto Africanidades

No dia 24 de outubro de 2025, o Instituto Enraizados realizou mais uma edição do RapLab, desta vez no CIEP 201, em Duque de Caxias, como parte das atividades pedagógicas do projeto Africanidades. A atividade, conduzida em diálogo com estudantes e os educadores Dorgo, Gustavo Baltar, Jhon Griot e Mati, transformou a sala de aula em um espaço de criação coletiva, memória e respeito ao território.

A proposta do RapLab é provocar reflexões sobre identidade, cultura, racismo, território e trajetória, a partir de rodas de conversas, estimulando os alunos a falarem, escreverem e expressarem suas vivências através do rap. Em poucas horas, o que começa como conversa vira ritmo e poesia.

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Nesta edição, os estudantes compuseram uma letra coletiva, marcada pela crítica ao colonialismo cultural, pelo orgulho da Baixada Fluminense e pelo reconhecimento do papel da escola na construção de futuros possíveis. O resultado é uma música que ecoa ancestralidade, educação pública e resistência, pilares que acreditamos serem fundamentais do projeto Africanidades.

Além da letra, a faixa foi gravada em estúdio móvel montado na própria escola e está disponível para audição, ampliando o alcance da produção estudantil para além dos muros escolares.

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O RapLab, que já passou por diversas instituições da região, segue se consolidando como possibilidade de arte-educação, estimulando protagonismo juvenil.

“Agora só os dias de glória, vivem em minha memória. Dentro desse colégio, hoje eu vivo minha vitória”, diz um dos versos, síntese da experiência coletiva que pulsa vida e potência na periferia.

Confira abaixo a letra completa produzida na oficina:

O brasileiro banaliza a própria nacionalidade,
Cinema, música, arte, não conhece de verdade.
O americano quer sugar nossa cultura,
Por isso, que a Baixada é minha cura.

O preconceito com a gente não tem espaço,
No nosso território nos conhecem como peito de aço.
O Brizolão com todo o seu conhecimento,
Mesmo com o colonialismo, eu descobri o meu talento.

Com o Africanidades eu descobri a minha história,
Quilombo Enraizados marcou minha trajetória.
No 201 conheci minha ancestralidade,
Da caminhada para a realidade.

Cada um com sua religião,
Axé ou amém, expresse sua gratidão.
Agora são os dias de glória,
Vivem em minha memória,
Dentro desse colégio hoje eu vivo minha vitória.

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Dudu de Morro Agudo é rapper, educador popular e doutor em Educação. Fundador do Instituto Enraizados, é referência na articulação entre hip hop, formação políticas. Criador da metodologia RapLab, já levou seu trabalho para escolas no Brasil, França e nos Estados Unidos, e apresentou pesquisas em eventos internacionais. Com discos, livros e documentários no currículo, sua trajetória conecta arte, educação e transformação social a partir de Morro Agudo, Nova Iguaçu.

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