UFRJ debate os impactos da inteligência artificial na subjetividade e na economia dos afetos
Curso de extensão 'Máquinas Afetivas' analisa como algoritmos capturam emoções e modulam comportamentos humanos

A Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promove, nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, a terceira aula do curso de extensão 'Máquinas Afetivas: inteligência artificial, imaginários maquínicos, tecnopolíticas e estéticas'.
O encontro, que ocorre das 13h às 16h30 no auditório da CPM/ECO-UFRJ, propõe uma reflexão crítica sobre a crescente intersecção entre a tecnologia algorítmica e a experiência emocional humana.
A iniciativa busca investigar as implicações políticas e econômicas de um cenário onde máquinas não apenas reconhecem, mas passam a participar ativamente da modulação dos afetos. A primeira parte da aula será conduzida pela professora Ivana Bentes, titular da Escola de Comunicação da UFRJ e pesquisadora reconhecida por seus estudos sobre as relações entre cultura, audiovisual e tecnologias digitais.
O debate central girará em torno do chamado capitalismo algorítmico e do aceleracionismo, questionando o que ocorre quando expressões, comportamentos e sentimentos são convertidos em dados brutos. A discussão levanta um ponto crucial para a sociedade contemporânea: a possibilidade de que sistemas de inteligência artificial, ao capturarem e classificarem emoções, passem a influenciar diretamente as subjetividades e as relações interpessoais.
O questionamento que permeia o curso é se as máquinas estão apenas mapeando o que sentimos ou se, de fato, estão atuando na produção e na modulação desses estados afetivos. A segunda etapa do encontro contará com a participação de Francisco de Paula Barretto, artista multimídia e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O foco será a inteligência artificial generativa e a criação computacional, explorando como os processos artísticos são transformados pela interação com sistemas inteligentes. A presença de Barretto visa deslocar o debate para a prática criativa, analisando como a IA interfere não apenas no que sentimos, mas também naquilo que imaginamos e produzimos.
O curso de extensão, que é gratuito e online, tem como objetivo oferecer uma visão que vai além da IA como uma simples ferramenta, tratando-a como um elemento estruturante da vida social. A programação é aberta ao público, com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Extensão UFRJ.
Estudantes de graduação e pós-graduação da UFRJ têm presença obrigatória no auditório, enquanto os demais inscritos podem acompanhar presencialmente, respeitando a lotação do espaço, ou via internet.
A iniciativa integra as ações do Pontão da ECO, núcleo de cultura digital da UFRJ, que busca fomentar o debate sobre oportunidades em comunicação e extensão universitária. A computação afetiva, tema central do curso, tem sido objeto de crescente atenção acadêmica e mercadológica.
Pesquisas recentes, como as discutidas em fóruns de tecnologia e instituições de ensino, apontam que a capacidade de sistemas de IA em interpretar padrões de fala, expressões faciais e gestos está revolucionando a interação humano-máquina.
Contudo, especialistas alertam para os riscos éticos dessa 'humanização' da tecnologia, destacando que a dependência de companheiros virtuais pode impactar o desenvolvimento de habilidades sociais reais.
O debate proposto pela UFRJ alinha-se a uma preocupação global sobre a proteção das emoções como o último território genuinamente humano.
Em um contexto onde algoritmos podem ser utilizados para manipular o engajamento através de gatilhos emocionais, a formação acadêmica torna-se um espaço essencial para o letramento crítico.
Ao reunir docentes como Ivana Bentes e Adriana Ilha, o curso 'Máquinas Afetivas' reafirma o papel da universidade pública na análise das transformações tecnológicas que moldam o presente e o futuro da sociedade brasileira.
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