Meu voto deixou de ser secreto faz tempo

Em minha nova coluna falo sobre como o lançamento da campanha de "Wesley Teixeira", domingo, em Duque Caxias, reforçou uma decisão que venho amadurecendo desde 2018: não quero mais assistir à política de longe, estou disposto a trabalhar por uma renovação política na Baixada.

Dudu de Morro Agudo24 de agosto de 2026, 04:36
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Meu voto deixou de ser secreto faz tempo

Domingo, 23 de agosto de 2026, foi um domingo atípico. Acordei cedo porque tinha um compromisso político. Atípico porque eu não costumo acordar cedo e muito menos ter compromisso político.

Na verdade, esse é um compromisso que assumi conscientemente há alguns meses, mas que, pensando bem, começou em 2018, quando Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil.


Naquele momento, senti uma culpa muito grande por não ter lutado mais por aquilo em que acreditava, por não ter disputado consciências de maneira mais direta. Sempre me posicionei politicamente. Nunca fiquei em cima do muro. Escrevi músicas, falei publicamente e, no meu show no Rock in Rio, em 2019, fiz uma apresentação bastante contundente, inclusive com críticas pesadas a Bolsonaro, em pleno auge do bolsonarismo.


Mas havia algo que eu nunca tinha feito: disputar o voto das pessoas na rua, conversar diretamente sobre política, apresentar minha visão de mundo e tentar convencer alguém a partir dela.


Desde então, decidi que não me isentaria mais desse processo.


Sempre votei porque acredito que, se só temos determinados candidatos disponíveis, é porque nós, enquanto sociedade, deixamos que chegasse a esse ponto. Isso também diz respeito às escolhas que fazemos enquanto sociedade. Entre as opções disponíveis, precisamos escolher quem vai governar o país, o estado e a cidade. Eu faço essas escolhas sempre me posicionando à esquerda e preservando alguns princípios que, para mim, são inegociáveis.


Nos últimos meses, porém, assumi algo maior do que simplesmente declarar um voto. Assumi o compromisso de ajudar.

Acredito que estamos vivendo um momento de mudança, de decisão, de rompimento, de fim de ciclo — chame como quiser. Tenho a sensação de que novas frentes políticas vão se formar, e quero participar da construção de uma delas.


O problema é que está cada vez mais difícil confiar nas pessoas. Por isso, procuro essa confiança em relações construídas ao longo do tempo, em amizades sem grandes ranhuras e em pessoas para quem a palavra ainda tem valor.


Foi assim que surgiu uma conversa quase inevitável com meu amigo Henrique Silveira.


Henrique Silveira e Dudu de Morro Agudo (Foto: Fernanda Rocha)


Henrique reúne muitas dessas características. Eu imaginava que ele seria candidato e estava disposto a apoiá-lo. Mas ele me contou que havia decidido apoiar Wesley Teixeira, dedicando-se diretamente à sua eleição.


Eu já conhecia Wesley de ouvir falar, mas não conhecia profundamente sua trajetória em Duque de Caxias. Henrique me explicou suas razões, e eu pedi um tempo para refletir e conversar com meu núcleo mais próximo, amigos que funcionam quase como conselheiros.

Chegamos à conclusão de que valia a pena conhecer melhor essa candidatura.


Wesley reúne características que considero importantes. É jovem, muito inteligente, tem uma leitura de mundo interessante e valores bastante sólidos. É evangélico, mas não está preso a dogmas nem reproduz preconceitos que muitas vezes são associados a determinados setores religiosos.


Além disso, é da Baixada.

E isso faz diferença.


Quando conversamos sobre os problemas do nosso território, tenho a impressão de que ele não apenas entende aquilo que estamos dizendo. Ele sente. Há uma experiência compartilhada ali.


Convidei Wesley para ir ao Enraizados para uma conversa. A ideia não era fazer uma sabatina, mas uma troca sem roteiro ensaiado, falando sobre política, território e visão de mundo. No fim das contas, acabou sendo quase uma sabatina mesmo.

E ele se saiu muito bem.


Alguns dos nossos companheiros mais críticos participaram da conversa e também fizeram uma avaliação positiva.

A partir dali, comecei a pensar na formação de um grupo de diálogo político. Porque, se vamos apoiar Wesley ou qualquer outra chapa, esse apoio precisa partir do nosso olhar. Precisa fazer sentido para nós enquanto território, enquanto integrantes de uma mesma cultura e enquanto pessoas que possuem interesses concretos na transformação da Baixada Fluminense.


Esse processo tem sido muito interessante.

Mas talvez a experiência mais marcante tenha acontecido hoje.


Cheguei ao Clube dos 500, em Duque de Caxias, para o lançamento da campanha de Wesley. Confesso que estava um pouco frustrado porque tentei mobilizar uma galera de Nova Iguaçu para ir comigo, mas muitas pessoas já tinham compromissos neste domingo. Cheguei até a negociar um ônibus, mas pedi para cancelarem porque não conseguimos quórum.


No fim, fomos no meu carro: eu, minha esposa, Samuel, KR7 e Yan Pierre.


Quando entrei no Clube dos 500, porém, senti uma felicidade enorme.

Talvez a palavra seja esperança.



Não aquela sensação ingênua de “já ganhamos”. Não é isso. É a impressão de que existe uma possibilidade real. De que talvez dê para construir alguma coisa diferente.


Olhei para aquelas pessoas e vi muita verdade. Gente trabalhadora, gente sofrida, pessoas que durante muito tempo ficaram desesperançadas com a política. Vi muitos idosos depositando esperança na força de um candidato jovem.

Também prestei bastante atenção aos discursos.


Alguns candidatos a deputado federal falaram, falaram bem. Eduardo Paes, enviou uma mensagem por vídeo, onde defendeu a renovação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

E aí aparece uma contradição que me incomoda.


Eu sou de Nova Iguaçu e acompanho os acordos políticos que Eduardo Paes vem construindo na cidade. Algumas pessoas podem explicar esses movimentos como parte necessária da política institucional. Eu entendo essa lógica.


Mas, ao mesmo tempo em que ele fala sobre renovar a Alerj, algumas das alianças que estabelece ajudam a fortalecer justamente setores políticos que representam o contrário dessa renovação.


Essa é uma crítica que faço ao Eduardo Paes mesmo sendo meu candidato ao governo do estado.

Vou votar nele, mas estou bastante incomodado com algumas alianças construídas em Nova Iguaçu.


Também é preciso reconhecer outra coisa: a política de Nova Iguaçu atravessa um momento muito difícil. A esquerda local está extremamente enfraquecida e desarticulada. Talvez por isso parte da nossa esperança esteja vindo, neste momento, de Duque de Caxias.


E olha que combinação interessante: nossa esperança é um camarada de cerca de 30 anos, de Duque de Caxias, crente, funkeiro, professor, educador, comunicador e militante de organização social.

E cheio de energia.


Saí de lá com muito mais disposição para ir para a rua e pedir um voto de confiança no Wesley Teixeira. Não porque eu ache que ele seja perfeito. Nem quero trabalhar com essa lógica.


A questão é outra: por que continuar validando por mais quatro anos pessoas que, durante tanto tempo, puderam fazer, mas nunca fizeram por nós?

Acredito que precisamos de novas pessoas, com novas ideias e principalmente com outros interesses.


Hoje voltei de Caxias acreditando um pouco mais que isso é possível.

Quarenta, sete, sete, sete (40.777). Já até aprendi o jingle. Que por sinal, cumpre bem a função


É isso.

Espero que tenham gostado da minha coluna neste site que só cresce.

Um beijo e até a próxima segunda.

#Wesley#Política#Baixada#Voto

Galeria

Fotografia: @DiRochaDi

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