Jhon Griot apresenta no "1º Encontro Trabalhidades" a educação clandestina do Quilombo Enraizados

No MUHCAB, artista de Nilópolis relaciona sua trajetória à formação cultural, à circulação de oportunidades e à busca de autonomia para instituições negras.

Dudu de Morro Agudo31 de agosto de 2026, 04:49
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Jhon Griot apresenta no "1º Encontro Trabalhidades" a educação clandestina do Quilombo Enraizados

Aqui estou mais um dia... rsrsrs

Tô feliz que pela terceira segunda-feira seguida eu consigo publicar a minha coluna aqui no Nó de Rede e essa canetada veio com minha memória ainda fresca, é sobre uma atividade que aconteceu ontem no MUHCAB. Foi tão maneiro que vai gerar um monte de conteúdos diferentes.

Então vamos lá!!!


Ontem, 30 de agosto de 2026, o dia foi comprido! Fui convocado pelo Jhon Griot para prestigiar o 1º Encontro Trabalhidades, no MUHCAB, onde ele representaria o Instituto Enraizados em uma mesa.


Encontro Trabalhidades é um evento dedicado à cultura e à comunicação negras. Reúniu artistas, educadores, coletivos e instituições para trocar experiências e discutir trabalho, futuro e diversidade, por meio de mesas de conversa, oficinas e apresentações artísticas.


A atividade que o Jhon participou estava marcada para as 10h30. Então, eu, KR7, Dorgo e Baltar saímos de Morro Agudo em direção à Gamboa às 09 horas aproximadamente. Como sempre, a viagem foi só resenha: papo furado e risadas.


Era minha primeira visita ao MUHCAB.

Ao chegar, pedi para conhecer o local, e o próprio Jhon me apresentou as exposições e os espaços do museu. Assim que começou a mesa com a participação dele, estávamos na rua tomando um café da manhã, então todos nós corremos para acompanhá-lo.


O encontro colocou em diálogo cultura e comunicação negras, trabalho, futuro e diversidades.



Na mesa, as falas trouxeram desafios importante e complexos como: manter projetos, remunerar equipes, enfrentar o racismo e garantir continuidade às ações.

Nesse contexto, a experiência apresentada por Jhon apontou para o cotidiano de uma instituição da Baixada Fluminense (Instituto Enraizados), onde aprender e criar vínculos fazem parte da construção de condições para trabalhar.


Ele recordou a primeira chegada ao Quilombo Enraizados, em Morro Agudo, Nova Iguaçu, como uma experiência de acolhimento. Ao me procurar para dizer que queria aprender, o convidei para ajudar numa tarefa: carregar uma caixa. Ele disse que sentiu vergonha naquele momento, mas, nas visitas seguintes, passou a colaborar. O aprendizado começou na convivência, na organização dos espaços e nas tarefas que fazem a cultura acontecer.


A mudança também alcançou sua relação com os estudos. Segundo Jhon, a faculdade parecia distante de sua realidade, marcada pela atuação em batalhas de rima, saraus e outras atividades de rua. Segundo ele, me ver defendendo o doutorado, e após conhecer Aline Ignácio, que cursava uma segunda graduação, aproximou a universidade de sua vida. Pessoas com quem convivia tornaram visível uma possibilidade que, até então, ele não considerava para si.


Essa experiência apareceu na fala como parte da educação clandestina: uma formação construída em encontros, práticas e relações que ajudam cada pessoa a reconhecer o que sabe e o que pode aprender. Jhon relacionou o crescimento intelectual e financeiro às redes de convivência. O acesso à universidade entrou nesse percurso sem apagar os conhecimentos produzidos na rua e nos espaços culturais.



O curso de produção de experiências culturais realizado no instituto foi outro marco no percurso. A formação lhe deu confiança para participar de uma equipe de festival. Seu relato chamou atenção para uma dimensão menos visível das oportunidades: receber um convite pode não bastar quando a pessoa não se sente preparada para ocupar aquele espaço. Aprender fazendo, acompanhado por uma rede, contribuiu para que ele pudesse assumir novas responsabilidades.


Mas a experiência de carregar caixas também permitiu discutir quem decide os rumos dos projetos. Para Jhon, quem trabalha com cultura precisa participar da elaboração das propostas, das escolhas e da gestão dos recursos. A autonomia defendida por ele passa por fazer o dinheiro circular entre quem produz cultura e por ampliar o acesso às decisões que organizam esse trabalho.


Jhon explicou que não vive exclusivamente das atividades do Enraizados, embora muitas oportunidades cheguem por essa rede. Disse que, no Enraizados, compartilhamos demandas que não conseguimos assumir enquanto instituição para a nossa rede, permitindo que outras pessoas trabalhem e alcancem novos espaços. Sua presença no encontro foi apresentada como parte dessa circulação. O relato dialogou com as discussões da mesa sobre mentoria, cooperação e fortalecimento de negócios e instituições negras.


A sustentabilidade também atravessou sua exposição.

Ele observou que os editais não acompanham a urgência das necessidades cotidianas e descreveu a busca por parcerias e por uma estrutura de comercialização de produtos. A proposta é gerar recursos enquanto o instituto mantém atividades gratuitas, como teatro, produção cultural e pré-vestibular. A gratuidade para quem participa exige trabalho e financiamento para quem organiza.



Ao apresentar a Cartografia do Hip Hop de Nova Iguaçu, Jhon acrescentou a memória a esse debate. Explicou que a iniciativa nasceu da percepção de que artistas do hip hop desconheciam referências do próprio território. Registrar essas trajetórias ajuda a reconhecer quem abriu caminhos e a transmitir uma história que precisa estar disponível para as próximas gerações.


No espaço do MUHCAB, essa apresentação encontrou relação com a discussão sobre museus vivos e saberes dos territórios.

O livro, comparado por Jhon a um museu, aproxima documentação e experiência comunitária.

Sua fala reuniu, assim, tarefas que sustentam o trabalho do Enraizados: acolher, formar, preservar histórias e compartilhar oportunidades.

São práticas que ajudam a transformar a participação cultural em possibilidade de estudo, trabalho e decisão sobre o futuro.


SAIBA MAIS:

Katiúcha Watuze — mediação

https://www.instagram.com/pretacomunicologa/

Jhon Griot — Instituto Enraizados

https://www.instagram.com/jhongriot/

Aira Nascimento — As Josefinas

https://www.instagram.com/airanascimento/

Julio Cesar Rodrigues — Instituto Pactuá

https://www.instagram.com/juliusocaesar/

Marcele Oliver — Instituto Avança Nega

https://www.instagram.com/planeta_oliver/

Aimê Araújo — Instituto GUETTO

https://www.instagram.com/aimearaujo/

Antonio Pita — Diaspora.Black

https://www.instagram.com/pitaresco/

Maurício Hora — Casa Amarela Providência

https://www.instagram.com/mauhora/


INSTITUIÇÕES

Instituto Enraizados

https://www.instagram.com/institutoenraizados/

Instituto As Josefinas

https://www.instagram.com/asjosefinas.instituto/

Instituto Pactuá

https://www.instagram.com/institutopactua/

Instituto Avança Nega

https://www.instagram.com/instituto_avancanega/

Lanchonete<>Lanchonete

https://www.instagram.com/lanchonete.lanchonete/

Diaspora.Black

https://www.instagram.com/diaspora.black

Cultne

https://www.instagram.com/cultne/

CEAP — Centro de Articulação de Populações Marginalizadas

https://www.instagram.com/ceap.oficial/

Casa da Tia Ciata

https://www.instagram.com/casatiaciata/

Instituto Pretos Novos

https://www.instagram.com/institutopretosnovos/

Instituto GUETTO

https://www.instagram.com/instituto_guetto/

Casa Amarela Providência

https://www.instagram.com/casaamarelaprovidencia/

#Educação#Cultura#Memória#Autonomia

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