Conferência Internacional de Educação Clandestina abre o Festival Caleidoscópio 2026.

Artistas, educadores, pesquisadores e lideranças se reuniram no Quilombo Enraizados para dialogar sobre outras possibilidades de educar - dentro e fora do ambiente escolar.

Editor4 de julho de 2026, 23:06
Compartilhar:
Conferência Internacional de Educação Clandestina abre o Festival Caleidoscópio 2026.

No primeiro dia do Festival Caleidoscópio 2026 - Educação Clandextina, aconteceu a I Conferência Internacional de Educação Clandestina - CIEC, reunindo educadores, artistas, pesquisadores, lideranças comunitárias, estudantes e representantes de movimentos sociais para dialogar sobre experiências de formação política, cultural e cidadã que acontecem dentro e fora da escola. Entre apresentações de trabalho, homenagens e rodas de conversa, a energia no Quilombo Enraizados durante o primeiro dia de evento foi de troca, pertencimento, memória e construção de conhecimento.


Às 9h, Dudu de Morro Agudo, fundador do Quilombo, fez uma fala de abertura do evento, na qual atestou o início de uma nova fase do Instituto Enraizados, sobre a qual a Conferência é o primeiro passo em direção à produção e divulgação de conhecimento periférico nacional e internacionalmente. Ressaltou a importância de ser uma Conferência Internacional, pois o que é realizado através do Instituto Enraizados também é realizado em países como Moçambique, México, Chile, Colômbia, Portugal, Inglaterra e EUA, como formas de compartilhar conhecimento dentro e fora do ambiente acadêmico.


Após a fala, deu-se início à apresentação dos trabalhos, que foram previamente inscritos na programação através do site do Festival Caleidoscópio. Aline Ignacio, Yasmin Reis, Rico Mesquita e Lucas da Silva na parte da manhã, e na parte da tarde André Luiz das Graças, Carlos Wendell Câmara, Luís Guilherme Lemos, Mariana Belize e Yuri Braz Pereira Santos compartilharam hipóteses e debates sobre atuações que levam o hip-hop e seus elementos enquanto movimento social e negroeducador, segundo Nilma Lino Gomes, para dentro da sala de aula em suas mais diversas realidades, dos processos de formação humana no cotidiano escolar nos ensinos infantil, fundamental e médio à complexa e excludente realidade do ensino superior, atravessando ainda o controverso sistema educacional prisional brasileiro.


Além dos trabalhos apresentados, a programação completou-se com duas rodas de conversa. A que aconteceu às 10h30 foi chamada “Quando o Corpo escreve e a palavra dança: Tecnologias Ancestrais”, e foi mediada pela multiartista, educadora e pesquisadora Adrielle Vieira, natural de Nova Iguaçu. O diálogo foi construído com Juliana França, multiartista, gestora cultural, arte-educadora e Mestra em Filosofia (UFRRJ) nascida em Japeri e com Luana Conceição, escritora, arte-educadora, poeta e pesquisadora de Juiz de Fora (MG), investigando o potencial educacional da poesia falada.


A roda de conversa que aconteceu à tarde (16h), intitulada “Nossos Passos Vem de Longe: Narrativas Negras e Disputa de Memória”, foi mediada pela comunicadora, produtora cultural e mobilizadora social Gab Black, de Paracambi, e teve as participações de Katiúcha Watuze, comunicóloga, palestrante, curadora e produtora cultural, e Simone Mota, escritora, roteirista, pesquisadora, produtora executiva e curadora, com atuação entre a literatura e o audiovisual.


Em ambas as rodas, além das trajetórias das participantes, a argumentação foi de que o território é, ao mesmo tempo: ponto de partida, repositório de informações sobre o passado e nosso vislumbre do futuro. É de onde tiramos nossa noção de família e comunidade tão atravessadas uma pela outra. Juliana França cita Sankofa, como movimento de retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro, enquanto Katiúcha fala sobre a fortuna que o povo preto e periférico tem enquanto transmissão de conhecimento e de afeto através da oralidade - seja esse conhecimento validado academicamente ou não.


Além disso, a deputada estadual pelo Rio de Janeiro Talíria Petrone (PSOL), que além do seu papel na política é professora, historiadora formada pela UERJ, Mestra em Serviço Social pela UFF e ativista, foi homenageada pela CIEC e pelo Instituto Enraizados como um todo. Companheira na luta pela democratização do acesso ao ensino de qualidade em ambientes de periferia, Talíria tem sua atuação marcada também pela defesa dos direitos humanos, da igualdade racial, dos direitos das mulheres, das juventudes periféricas e da democracia, reconhecendo pautas de justiça social e combate às desigualdades.


Em conclusão, o primeiro dia do Festival Caleidoscópio 2026 - Educação Clandextina se coloca como uma grande contribuição para atuações pedagógicas que entrecruzam Hip-Hop e educação. Artistas locais, pesquisadores, arte-educadores e lideranças tiveram o mesmo lugar de destaque; quem está na luta junto conosco foi homenageado e a comunidade compareceu para trocar sobre novas formas de educar - seja na escola, seja na vida. O Festival Caleidoscópio coloca mais uma vez as ruas de Morro Agudo no mapa, desta vez no mapa da produção de conhecimento científico sobre e para o território.


Não somos simplesmente objeto de pesquisa. Somos sujeitos das nossas pesquisas e, ao mesmo tempo, produtores de conhecimento sobre nosso território.


[Texto: Fijó]

[Fotografia: Myllena Braga]

#EducaçãoClandestina#Enraizados#MorroAgudo#Conferência#Caleidoscópio

Galeria

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Foto: Myllena Braga

Deixe seu comentário

Faça login para comentar de forma simplificada. Seus comentários serão publicados automaticamente se você já teve um aprovado antes.

ou comente como visitante
Comentários de visitantes passam por moderação antes de serem publicados.
NÓ DE REDE

O portal "Nó de Rede" nasce como um território digital de encontro, fricção e invenção política. Não é um espaço de pensamento único nem de consensos fáceis, mas um campo de múltiplos pensamentos revolucionários, onde vozes das periferias do mundo analisam, disputam e reimaginam a realidade a partir de seus próprios lugares de fala. Aqui, a revolução não é slogan: é reflexão crítica, memória, linguagem, estética e prática cotidiana.

Redes Sociais

© 2026 NÓ DE REDE. Todos os direitos reservados.